Confesso!
Atesto pela minha doença, a dor de uma paixão.
A crença de quem vive e se entoca, nômade, nas viagens dentro de si
mesmo e encontra os caminhos da alma e da essência humana.
Desespera-se por está sozinho na presença da alteridade.
Caro, oh meu caro! Quem nunca se deu o atestado de apaixonado e
apaixonante?
Calado e falante,
Expelidor das dores
Dos amores, sem sentir,
Das feridas e da cicatriz
Sempre a sangrar e desmedir
O universo recônvexo, côncavo na mente, perplexo nas mentes e
complexo simplesmente no homem paradoxo, que sente nas linhas
das amarguras, o doce sabor do azedo a gritar por liberdade:
Do que não existe e te prende,
Do que não te toca e te rende,
Do que dói e desatina sem parar:
A consciência dos amantes a esperar o amor, de graça, e cheio de
graça, pra rir desesperadamente da face dos que não amam.
Confesso!
Protesto os elos fugazes e os momentos sagazes, o caráter sem
caras,
o instantâneo e o pronto, sem taras,
atraentes pela futilidade humana, pelo comodismo destrutível e
praticidade de quem não sabe produzir:
O bem. Só o arem dos prazeres;
O mal. Só o alem dos amores;
Sem intensidades e profundezas,
Superficial e sem sutilezas,
Chora a gritar, o apelo humano a promiscuidade, a transitoriedade e
ao deixar passar o que é essencial.
Chumbo jogado,
Valores trocados e inversos sem valor,
Tudo errado e sem nenhum pudor,
Apreço pelo ópio, pelo ódio, pela “carne pela carne”, pela arte sem
tintas, pelas ninas da esquina, pelos ninos da marina, das ruas, das
vielas e pelas “Gabrielas’ de coturno e pelos militares noturnos de
salto a lutar a favor da putaria.
Preço pelo preço e paga-se mais caro pelo apreço sem valor e cobra-
se mais barato pelos homens de valor.
Confesso!
Onde estas a essencialidade do homem?
... Dos nomes, dos sentidos e significados, dos valores e dos
valorizados, dos prazeres e palavriados, falados, cantados, sentidos e
sofridos, por quem tenta amenizar a crueldade da figura semelhante,
diferente no espelho da alma.
O desejo a consumir e a falta, a sangrar,
Estigmatiza-me!
A censura e a proibição do amor, em sua descrença e totalidade,
e ainda a liberdade dos marginais não-amantes, sangra o meu olhar
gritante, diante a escassez de possibilidades e vontade em vivencia-lo,
Fruto do próprio que me faz e me torna amante e também atuante,
Pondo-me a cessar o meu amor, mas nunca à vontade de amar e me
entregar a ele...
Diego G. (21-01-07)








